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Quarta-feira :: 20 / 08 / 2008

SERVIÇOS ::

Ciências da saúde

Ciências cada vez mais humanas

Tidas por muitos como um sacerdócio, as Ciências da Saúde têm procurado formar profissionais que tratem dos pacientes como um todo, e não apenas de suas doenças

O dia-a-dia de um hospital (ou mesmo de uma clínica especializada, ou ainda um consultório) é extremamente corrido. Pacientes entrando e saindo o tempo todo, alguns com problemas mais graves, outros nem tanto. É nestes ambientes que se revela uma das mais "humanas" das áreas do conhecimento: as Ciências da Saúde. Cada vez mais, médicos, dentistas, enfermeiros, nutricionistas e outros profissionais da área têm sido chamados a tratar os pacientes, efetivamente, como seres humanos.

"Um dos fatores essenciais desta área é o desejo de trabalhar com pessoas. É preciso ter gosto pelo inter-relacionamento humano. E nas mais diversas situações", alerta a coordenadora do departamento de Enfermagem da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Mara Solange Dellarozza. Assim, o estereótipo do profissional que atende o enfermo e apenas receita a ele um medicamento, tem seus dias contados. Mais do que se aplicar nos estudos e no aprendizado de técnicas, os profissionais da área têm sido duramente cobrados quanto à maneira como "tratam" seus pacientes.

"É mais importante que o estudante esteja preparado para este diálogo com o paciente do que para lidar com os procedimentos e aptidões necessários", orienta Mara. "Existem bons profissionais, tecnicamente ótimos, que perdem muito por não desenvolverem esse tato para o relacionamento pessoal. O ideal é associar essa capacidade com a competência técnica". Portanto, se você é um daqueles que sonha em trabalhar com seu jaleco branco, prepare-se. Alcançar qualquer um destes fatores não é simples e exige muito mais do que esforço e dedicação.

Com um perfil dinâmico, a área tem se renovado constantemente. E não apenas no lado tecnológico dos tratamentos, mas também nos seus conceitos. Além da exigência sobre um profissional mais "humano", há a necessidade de multidisciplinaridade, capacidade de trabalho em equipe, acompanhamento das evoluções da profissão e, sobretudo, envolvimento com a sociedade. Assim, as próprias universidades têm optado por dar ao graduando a oportunidade de conhecer efetivamente os problemas da comunidade em que estão envolvidos.

"É preciso acabar com a clausura a que os estudantes ficam submetidos dentro da faculdade nos primeiros anos para só depois sair e ter contato com a comunidade", afirma a coordenadora do departamento de Odontologia da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), Francineide Almeida Martins. "O aluno, quando termina o curso, vai enfrentar dificuldades para entrar no mercado. Portanto, ele precisa começar a aprender, desde o início, a conviver com a realidade da comunidade. Apenas a minoria vai para clínicas e consultórios privados. A maioria vai mesmo para o serviço público, trabalhar em postos de saúde".

Com essa visão, a graduação na área de saúde tem se voltado para uma formação mais generalista, buscando dar ao estudante ferramentas para ter uma visão mais ampla do paciente. "Esse graduando deve, agora, ter um perfil mais aberto, fugindo dos padrões que existiam, de especialistas", completa Francineide. "Hoje, a tendência é de formar um profissional generalista, pautado pela conduta ética e voltado para o trabalho em comunidade".

Mercado saturado

Além das dificuldades específicas da profissão, o estudante precisa estar preparado para lidar com um mercado extremamente competitivo. O número de graduandos que se forma anualmente é muito maior do que a quantidade de vagas abertas no mesmo período. "O mercado está saturado. Está muito difícil conseguir emprego, tem muita gente se formando", lamenta Francineide.

No entanto, algumas perspectivas têm se aberto para os profissionais da saúde. Uma área que tem crescido bastante no país é justamente a de saúde coletiva, que inclui não apenas tratamentos médicos, mas também prevenção de doenças, saneamento básico e cuidados com a higiene da família. "Uma das oportunidades está no trabalho com saúde coletiva. E também por isso é bom que os alunos se envolvam com o ações voltadas para a comunidade", finaliza Francineide.

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