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Especialistas em línguas

Demanda pelos profissionais de Letras ainda é maior na docência, mas este quadro atravessa um período de transição. Conheça as outras possibilidades que o mercado de trabalho oferece

Publicado em 28/12/2005 - 00:01

Muitas regras e cada uma delas com as suas exceções. Esse é o perfil da Língua Portuguesa, um dos símbolos da pátria brasileira. Parafraseando o famoso slogan, embora seja um "bicho-de-sete-cabeças" para muitos, aprender a língua materna é um direito e, ao mesmo tempo, um dever do cidadão. Mas não apenas ler, escrever, interpretar... o estudo das Letras é muito mais do que isto. É a ciência da palavra, um instrumento básico para todas as áreas do conhecimento e para a comunicação do homem. Uma profissão de grandes tradições, mas que ainda luta para conquistar reconhecimento fora dos bancos escolares.

Restringir o profissional de Letras aos meios acadêmicos já não é mais a realidade desta área. Ainda que o profissional atue predominantemente como professor, este quadro está passando por um movimento de expansão. "O vínculo da profissão com a docência ainda é muito forte. Uma tradição que aos poucos está sendo desmistificada, conquistando espaços cada vez maiores no mercado de trabalho", explica a coordenadora da graduação em Letras da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), Adila Beatriz de Mora.

Formalmente, o graduado em Letras deve escolher entre dois caminhos: Licenciatura ou Bacharelado. O Licenciado está habilitado para atuar nos ensinos Fundamental e Médio e ainda em escolas de línguas. Além disso, pode atuar também em áreas não diretamente ligadas à Educação, como aquelas relacionadas às outras línguas, literatura e diversas modalidades de textos. Já o Bacharel atua como tradutor de textos escritos, intérprete, redator técnico e, principalmente, nas áreas de conhecimento técnico e científico.

As oportunidades para os profissionais de Letras são diversas, mas onde estão concentradas? O consultor de carreira da Career Center, Fernando Dias, assegura que, embora a globalização contribua muito para a contratação de tradutores, as vagas nos meios acadêmicos ainda são maiores e mais promissoras. As oportunidades, em geral, estão vinculadas às políticas nacionais de educação. Ainda assim, o consultor garante que é um mercado crescente. "Sem grandes explosões, um crescimento mais consolidado", esclarece.

Um outro dilema da profissão é a remuneração. "A desvalorização do profissional de Letras também está relacionada à sua remuneração. Ou ele é autônomo ou horista", diz a coordenadora Adila. Os valores variam de acordo com a política da escola, o projeto e a carga horária de trabalho. Porém, em média, os salários giram em tordo de R$ 600,00 a R$ 2.000,00. "O principal influenciador disto é o mercado. A grande quantidade de profissionais disponíveis acaba possibilitando que os empregadores reduzam salários, porque mesmo que paguem menos, eles ainda conseguem bons empregados", relata Dias.

Segundo levantamento feito pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), os 108 cursos de Letras espalhados pelo Brasil formam 6.754 profissionais anualmente. "É importante destacar que a concorrência existe e, por isso, o mercado não consegue absorver a todos os recém-formados", frisa o consultor. "Para encarar este problema, é preciso destacar-se. O profissional tem que ter boa formação, foco em qualidade, aptidão e precisão em seu trabalho", conclui. (Clique aqui e conheça mais sobre o curso).

Leia as entrevistas abaixo e descubra os motivos que levaram um vestibulando, um graduando e um profissional a escolher o curso de Letras:

Idade: 20 anos

Onde estuda: Cursinho da Poli
Larissa Haack Idade: 20 anos

Onde estuda: UFPA (Universidade Federal do Pará)
Anderson Francisco Guimarães Maia

Idade: 25 anos

Profissão: Tradutor técnico, graduado pela Universidade Metodista de São Paulo

Eduardo Messias Oliveira
Vestibulando - Por que escolheu a profissão?
Iniciei a graduação de Educação Física, mas não gostei do curso e desisti. Na verdade, não sabia ao certo qual profissão desejava seguir. Neste meio tempo, comecei a fazer alemão e o interesse em aprender línguas foi crescendo. Hoje, sou professora de inglês e alemão e me identifiquei com a carreira. Com o objetivo de me aprimorar ainda mais no que faço, decidi prestar o vestibular para Letras.
Graduando - Por que escolheu a profissão?
Sempre gostei muito de Literatura, Português e Inglês. Queria fazer disso a minha profissão. Assim, vi na graduação em Letras a possibilidade de alcançar o objetivo. Além disso, um dos meus sonhos era conhecer a fundo a linguagem humana, outro objetivo que poderia ser alcançado com o curso.
Profissional - Por que escolheu a profissão?

Prestei o vestibular para o curso de Jornalismo, mas não passei e acabei cursando a minha segunda opção: Letras. A princípio, o objetivo era trabalhar em conjunto com o Jornalismo. Fazer do curso de Letras uma ferramenta auxiliadora na profissão de jornalista.

Vestibulando - O que espera do curso?
Meu principal objetivo é procurar um complemento para minha profissão. Espero absorver os conteúdos do curso e encontrar professores competentes que possam me dar a formação que procuro.
Graduando - O curso corresponde às suas expectativas?
Antes de iniciar a graduação, as expectativas em relação ao curso eram grandes. No decorrer dos anos, algumas foram supridas e outras não. No entanto, hoje tenho uma visão muito mais real do que é ser um profissional de Letras. O que me fez seguir esta área foram os sonhos, mas hoje sei até que ponto eles podem ser concretizados. O curso me deu um preparo intelectual muito melhor. Mas, um ponto fraco da graduação é a sua abrangência, formando um profissional de maneira superficial.
Profissional - O curso correspondeu às suas expectativas?
Os professores garantiam a qualidade do curso. Isto foi muito importante para seu desenvolvimento, já que não existiam ferramentas práticas e nem laboratórios. Em relação aos meus objetivos iniciais, o curso correspondeu, sim, às minhas expectativas, de maneira muito satisfatória. Mas o panorama da situação foi se tornando tão favorável que acabei migrando definitivamente para a área. Hoje, são mais de oito anos de trabalho.
Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de formada?
Atualmente ganho R$ 800,00 reais. Com a graduação, pretendo, pelo menos, triplicar este valor.
Graduando - Quanto espera ganhar depois de formado?
Inicialmente o máximo que conseguiria ganhar é R$ 1000,00, trabalhando em uma escola boa e muitas horas por semana. O máximo que posso chegar a ganhar é R$ 6.000,00 como professor doutor em uma universidade, algo que ainda está muito distante da minha realidade. Mas pretendo chegar lá.
Profissional - Quanto ganha?
Sou tradutor técnico há oito anos. Neste segmento, o profissional consegue, em média, R$ 800,00. O valor começa aumentar à medida em que o profissional consegue angariar mais clientes. Demorou mais de três anos para atingir a faixa dos R$ 1.000,00. Atualmente não tenho um salário fixo, mas nos meses de muito trabalho consigo tirar uns R$ 2.000,00. Os salários estão relacionados à experiência, e não apenas no que diz respeito à qualidade mas, também, à obtenção dos clientes.
Vestibulando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
O intercâmbio de aprendizados. Os contatos com alunos de diferentes culturas possibilitam estas trocas de ensinamentos. Aprendemos juntos.
Graduando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
A capacidade e a responsabilidade que nós, professores, temos ao fazer as pessoas crescerem. Quando ensinamos, abrimos os horizontes do mundo e percebemos mudanças muitas vezes estrondosas. O mais recompensante é perceber esta evolução. É perceber que fizemos diferença.
Profissional - O que acha de melhor na profissão?
Ser tradutor é um trabalho árduo, mas, no fim das contas, compensa. Compensa no sentido de aprender sobre tudo. Ora se trabalha em uma tradução de educação, ora de informática. O tradutor tem a possibilidade de passear e conhecer todas as áreas do conhecimento. A cada dia, um projeto novo e de áreas totalmente distintas. Um desafio diário de conhecer outras possibilidades.
Vestibulando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
A demora para começar a ganhar dinheiro. No entanto, este não é um problema só desta profissão.
Graduando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
O mercado de trabalho. Isto porque o professor não é valorizado nem dentro e nem fora da sala de aula. Não tem salário fixo, ganha de acordo com as horas que trabalha. Falta estabilidade a este profissional. Além disso, a maioria das escolas trabalha com cargos temporários, tornando a área ainda mais instável.
Profissional - O que você acha de pior na profissão?
Não ter renda fixa. Este é um problema bem relevante, no entanto não é o único. Por ser um trabalho autônomo o "calote" também é muito corriqueiro. Além disso, o tradutor terá grandes chances de adquirir LER (Lesões por Esforços Repetitivos). E ainda, este profissional, por ficar muito tempo em frente ao computador, terá grande possibilidade de ter problemas de visão.
Vestibulando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
O professor, infelizmente, está muito desvalorizado. O problema maior é que o Brasil não investe em educação. Já na área de tradução as coisas são um pouco melhores. Além de o profissional ter um campo de atuação um pouco mais vasto, a remuneração é maior.
Graduando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
A área de Letras ainda é muito desconhecida. As pessoas não sabem o que este profissional faz e isto gera uma série de preconceitos e mitos. O Brasil vê Letras como uma área marginalizada, sem importância para a sobrevivência humana. Para muitos, é uma profissão supérflua, já que se acredita que não é preciso ser formado para dar aula de português. Mitos que precisam ser quebrados para a evolução da profissão.
Profissional - Que análise você faz da profissão no Brasil?
Com o capital sendo aberto cada vez mais pelo Brasil, mais empresas precisam de tradução. No entanto, ao mesmo tempo, surgem mais tradutores, mais concorrência desqualificada, e um salário ainda menor. Um mundo difícil, mas semelhante à maioria das profissões.
Vestibulando - Que dica você daria a estudantes que estão em dúvida entre Letras e outras áreas?
É primordial que o pré-universitário escolha uma carreira com a qual se identifique. Não basta só pensar em dinheiro ou em prazer. O ideal é reunir estes dois aspectos. Embora seja uma decisão difícil, é a mais importante da vida profissional. Por isso, é importante pesquisar e pensar muito antes de decidir.
Graduando - Que dica você daria aos estudantes interessados em Letras?
Os estudantes interessados em Letras devem trabalhar muito durante o curso. Uma ferramenta que vai ajudá-los muito ao se formarem é a experiência. Sem esta experiência os recém-formados sofrerão muito mais para conseguir um bom salário. Além disso, é necessário estudar, dominar os assuntos de aula, ler muito e se preparar para ser melhor e estar a frente dos outros no mercado de trabalho.
Profissional - Que dica você daria aos alunos interessados nesta profissão?
Quando seu professor disser que é preciso ler até bula de remédio, leve a sério. Isto faz toda a diferença. Conhecer os vários formatos da linguagem é essencial para um profissional de Letras.

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