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Engenheiros bons de prato

Acompanhando o desenvolvimento das industrias alimentícias do país, a Engenharia de Alimentos avança na tentativa de conciliar a qualidade dos produtos com a otimização dos recursos e o aumento da produtividade

Publicado em 14/09/2005 - 00:01

O processo de industrialização no Brasil foi a mola propulsora para o surgimento de muitas profissões. Neste período, as indústrias de transformação cresceram assustadoramente. Neste cenário, um dos principais destaques é o setor de alimentos, responsável por 10% do PIB (Produto Interno Bruto). Para suprir as necessidades desse mercado, surgiu a figura do Engenheiro de Alimentos, profissão criada em 1966 na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). A regulamentação, no entanto, viria apenas cinco anos depois, em 21 de agosto de 1971.

O engenheiro de alimentos é um profissional preparado para agrupar todos os elementos relacionados com a industrialização destes materiais. Um caminho de várias etapas, que começa na colheita da matéria-prima, passa pela transformação, estocagem e transporte, até chegar à prateleira do supermercado. Além disso, esse engenheiro cria produtos, desenvolve projetos e processos produtivos a partir das características de qualidade, buscando a otimização dos recursos e aumento da produtividade.

Segundo levantamento feito pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), existem, atualmente, 42 cursos de Engenharia de Alimentos no Brasil. O total de matrículas anuais é de 6.789, contrapondo-se bastante ao número de concluintes, 621. Em média, a graduação tem duração de cinco anos, com carga horária de 3.660 horas, e mais 180 horas de estágio obrigatório. Com caráter multidisciplinar, o curso engloba disciplinas das áreas de exatas, biológicas e humanas.

Essa multidisciplinaridade na formação acadêmica visa garantir ao engenheiro acadêmico um vasto campo de trabalho. Dessa forma, os profissionais da área podem conseguir colocação em indústrias de produtos alimentícios, insumos, equipamentos e embalagens, empresas de serviços e consultorias, laboratórios, institutos de pesquisas, instituições públicas, universidades e até bancos. "Pela ampla diversidade de conhecimentos, o profissional tem a oportunidade de trabalhar em diversos outros setores", explica o coordenador do curso de Engenharia de Alimentos da Unicamp, Luiz Viotto.

Em linhas gerais, pode-se trabalhar nas áreas de Produção Industrial, Pesquisa e Desenvolvimento de Produtos, Desenvolvimento e Otimização de Processos, Garantia da Qualidade, Assistência Técnica, Consultoria, Marketing Comercial, Fiscalização, Perícia Técnica e Magistério Superior.

Para Viotto, o mercado tem se expandido em todas as regiões brasileiras, com destaque às que possuem maior desenvolvimento industrial e agrícola. "Esses locais são promissores nas áreas de produção e exportação. Já naqueles em que se encontram as matrizes das empresas, as tendências são pesquisa e desenvolvimento", explica. O piso salarial da categoria, determinado pelo CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), órgão responsável pela fiscalização do curso é de oito salários mínimos. "A média salarial do profissional vai depender da área de atuação e dos anos de experiência bem como o cargo exercido", complementa Viotto.

O professor Viotto alerta aos interessados que, para atuar na área, é necessário, além dos conhecimentos básicos oferecidos na graduação, dinamismo, criatividade, habilidade nas negociações e, acima de tudo, ética. "É uma profissão dirigida ao atendimento de uma necessidade básica das pessoas. É de conhecimento de todos as deficiências, que ainda persistem em grande parte da população, de acesso aos alimentos. Por outro lado, é significativa a parcela que se alimenta de forma inadequada - o que também leva a graves distúrbios de saúde", diz o professor. "Nestas duas frentes o engenheiro de alimentos tem muito a contribuir ", finaliza.

Confira abaixo os motivos que levaram um vestibulando, um graduando e um profissional a escolher o curso de Engenharia de Alimentos:

Idade: 18 anos

Onde estuda: Cursinho da Poli
Vanessa Barbosa da Silva
Idade: 20 anos

Onde estuda: UFV (Universidade Federal de Viçosa)
José Carlos de Paiva Priante
Idade: 27 anos

Profissão: Engenheira de alimentos
Maria Carolina Guimarães
Vestibulando - Por que escolheu a profissão?
No Ensino Médio fiz um curso técnico em nutrição. Por meio dessa experiência, passei a me interessar pela área alimentícia e principalmente pela produção de novos alimentos. E tive a oportunidade de conhecer a função de um engenheiro de alimentos e, conseqüentemente, optar por minha carreira profissional.
Graduando - Por que escolheu a profissão?
Sempre quis ser engenheiro. Como estudante de curso médio, gostava de todas as matérias do campo da biologia, física, matemática e química. O curso de engenharia de alimentos proporciona uma complementaridade nessas disciplinas. Mas o ponto propulsor para essa decisão foi o leque de opções que a profissão oferecia no mercado de trabalho.
Profissional - Por que escolheu a profissão?

Por curiosidade natural sobre os alimentos.

Vestibulando - O que espera do curso?
Espero do curso muito mais prática do que teoria. Além disso, que seja completo, sem se desviar do objetivo da formação do profissional. Apesar de não conhecer ninguém da área, minhas pesquisas foram suficientes para descobrir que a graduação de Engenharia de Alimentos é muito rica, capaz de me oferecer todas as informações e capacitações para as minhas projeções futuras.
Graduando - O curso corresponde às suas expectativas?
Em relação à Universidade Federal de Viçosa, temos bons professores, bons laboratórios e uma boa infra-estrutura. Poderia ter mais? Lógico. Temos problemas, como todas as universidades. Já em relação ao meu desenvolvimento pessoal e profissional, não tenho do que reclamar. O curso me acrescentou muitos conhecimentos que contribuem e que contribuirão ao meu futuro profissional.
Profissional - O curso correspondeu às suas expectativas?
Por ter feito parte da primeira turma do curso na universidade, as coisas foram mais complicadas. Naquela época, não existiam muitos professores especializados, mas mesmo assim tive a oportunidade de ter excelentes mestres.
Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de formada?
Começar basicamente com R$ 1.000,00, para depois traçar a minha meta profissional. É possível aumentar esse rendimento com especializações, novas técnicas e dedicação, e assim atingir uma remuneração desejável.
Graduando - Quanto espera ganhar depois de formado?
Isso é complicado. Tem muita gente aceitando salários muito baixos, fazendo com que a média salarial de um recém formado seja cada vez mais desvalorizada. Espero ganhar acima de R$ 2.000,00 para começar. Uma remuneração justa a um profissional que dedicou cinco anos de sua vida nessa formação, algo que não é nada fácil.
Profissional - Quanto ganha?
Depende de uma série de fatores. Mas o CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) e o CRQ (Conselho Regional de Química), órgãos responsáveis pela fiscalização do curso, possuem uma tabela de preços com essas variações salariais, que dependem do tempo de formação, da localidade e com a área de trabalho.
Vestibulando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
O reconhecimento. Quero participar da produção de novos alimentos, inovar na área. Por isso, o reconhecimento é fundamental.
Graduando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
O leque de oportunidades. Poder atuar em diferentes áreas. Um engenheiro de alimentos é um profissional que, por causa da sua formação, tem a capacidade de juntar conhecimentos de diferentes áreas. Essa multidisciplinaridade torna a profissão mais atraente.
Profissional - O que acha de melhor na profissão?
Na verdade, a faculdade ensina trabalhar dentro da indústria. O universitário aprende desde a utilização de agrotóxicos até a conservação do alimento. Existe um longo caminho nesse meio tempo, o que é muito interessante. Mas, por outro lado, falta ainda ensinar o consumidor. E é justamente esse campo que mais me atrai na profissão.
Vestibulando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
Por ser uma profissão de muitas opiniões, críticas também serão feitas. Mas, o mais chato mesmo seria a parte burocrática que toda e qualquer empresa exige antes de tomar uma decisão. N ão sou teórica e nem a favor da teoria, no entanto faz parte da rotina profissional.
Graduando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
A percepção do engenheiro de alimentos no mercado hoje. Muitas indústrias enxergam o profissional da área como técnico. Mas, isso, infelizmente, não acontece só na Engenharia de Alimentos, muitas outras profissões também sofrem com essa desvalorização.
Profissional - O que você acha de pior na profissão?
Como eu já disse, nos ensinam a trabalhar dentro de indústria, o que particularmente não gosto. Uma rotina muito difícil, pesada e cansativa. Prefiro trabalhar com projetos diferenciados, com consultoria, ou até com defesa do consumidor. Área que permitem estudar e se aprofundar em diferentes assuntos.
Vestibulando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
O mercado é amplo justamente por ser "relativamente" novo. Além disso, a área de alimentos é um ramo importantíssimo para a sobrevivência das pessoas, por isso ela sempre vai existir. Mercado e oportunidade não faltam, o que falta é a valorização.
Graduando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
O mercado de trabalho é bom. A indústria de alimentos cresce no país, as exportações sobem a níveis assustadores e os brasileiros processam cada vez mais alimentos. Por isso, campo de atuação para esse profissional tem. O problema está na substituição de mão de obra qualificada.
Profissional - Que análise você faz da profissão no Brasil?
Depende muito da região do Brasil. Em São Paulo, por exemplo, o mercado de trabalho já está muito habituado ao engenheiro de alimentos e ao que ele faz. Mas, ainda existem muitas empresas que contratam nutricionista, engenheiros químicos e até farmacêuticos para fazer o trabalho do engenheiro de alimentos. Isso acontece devido ao grande desconhecimento da profissão.
Vestibulando - Que dica você daria a estudantes que estão em dúvida entre Engenharia de Alimentos e outras áreas?
A engenharia de alimentos é uma profissão muito prática, para ser um bom profissional é preciso gostar e saber lidar com o dia-a-dia, estar aberto a inovações e ser dinâmico.
Graduando - Que dica você daria aos estudantes interessados em Engenharia de Alimentos?
Além da graduação, que procurem sempre se atualizar. Procure identificar-se com a profissão e escolher, o quanto antes, a área de atuação desejável. E ainda, procure extrair o quanto puder dos professores e da universidade.
Profissional - Que dica você daria aos alunos interessados nesta profissão?
Se manter informado - essa é a principal dica. Muitas pessoas acabam desistindo do curso por desconhecerem suas funções. Muito cálculo, muita física, muita matemática e muita química. As pessoas têm a impressão de ser um curso fácil, mas ele é tão puxado quanto as outras engenharias. Por isso, gostar de estudar é fundamental.

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