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Da produção à distribuição de medicamentos

A demanda por farmacêuticos no Brasil é muito ampla, até porque o país encontra-se entre os cinco maiores consumidores de medicamentos no mundo. Descubra as várias áreas em que um graduado em Farmácia pode atuar.

Publicado em 15/06/2005 - 02:00

A busca pela cura das doenças têm sido uma das maiores preocupações do homem, desde os primórdios da humanidade. Para alguns pesquisadores, a descoberta do fogo e a utilização de recursos naturais para aliviar dores humanas ocupam espaço semelhante na linha do tempo. Por isso, a Farmácia é considerada uma das profissões mais antigas da humanidade. No Brasil, o primeiro curso de Farmácia surgiu em 1832, na Universidade do Brasil, atual UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Porém, a profissão só foi regulamentada quase cem anos depois, em 1931.

Além de estar entre os cinco maiores consumidores de medicamentos no mundo, O Brasil é o país onde a relação de farmácias por habitantes é a maior do mundo. Em território nacional, são mais de 50 mil farmácias e drogarias, em média uma para cada três mil habitantes, mais que o dobro recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Esses números ressaltam a importância do farmacêutico no país.

Há algumas décadas, o farmacêutico era considerado apenas o conselheiro das famílias, estereótipo que tem sido transformado nos dias atuais, com o profissional passando a desempenhar diversas funções no mercado de trabalho. Hoje, o farmacêutico participa de toda a cadeia produtiva de um medicamento, desde a sua fabricação até a distribuição.

"Dentro da formação de um farmacêutico existem três habilitações: Farmácia Social, voltada ao atendimento; Farmácia Industrial; e Bioquímica, que tem duas sub-áreas, a de alimentos e de análises clínicas. Mas, hoje, a maioria das faculdades forma o profissional para a área Social e Indústria. Para ter alguma outra habilitação o aluno precisa passar pelo menos mais um ano dentro da universidade", afirma o coordenador do curso de Farmácia da UFF (Universidade Federal Fluminense), Antonio Sergio Aymoré.

Segundo levantamento feito pelo INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), existem, atualmente, 211 cursos de Farmácia no Brasil. O total de matrículas anuais é de 54.297, contrapondo-se bastante ao número de concluintes, 9.703. Em média, os cursos tem duração de quatro anos, com carga horária de aproximadamente 4.200 horas, contando as horas de estágio obrigatório. As matérias principais da graduação são: química, bioquímica, fisico-química, biologia, microbiologia e imunologia, parasitologia e anatomia.

Para os interessados, Aymoré explica que a área " mãe" do farmacêutico é o atendimento, mas existem diversas outras áreas em que o profissional pode atuar . "São inúmeras as possibilidades de atuação. Podem trabalhar em farmácias de dispensação ou drogarias, farmácias de manipulação, homeopáticas, hospitalares, laboratórios de análises clínicas. Além de também operar na fabricação de produtos biológicos imunoterápicos e produção de soros e vacinas", diz. "E pode, ainda, prestar serviços em vigilância sanitária, universidades e institutos de pesquisa. Dentro de cada uma desses estabelecimentos o profissional pode desenvolver diversas tarefas."

O coordenador relata que, na medida em que as oportunidades de trabalho para os farmacêuticos aumentaram, proliferou-se o número de cursos universitários no Brasil - e, por consequência, o número de profissionais no mercado. "O mercado ainda não está saturado, mas, no ritmo de crescimento atual, essa possibilidade não está muito distante", conta Aymoré. "Diria que aproximadamente 90% dos profissionais recém-formados ingressam no mercado de trabalho. Os demais não ingressam por opção. Alguns desistem e mudam de área e outros optam por uma especialização antes de encararem o mercado", acrescenta.

Para o professor Aymoré, o mercado é mais promissor nas regiões mais populosas e de maiores recursos, como é o caso do Sul e Sudeste. "Mas a tendência é que no futuro ocorra um processo de interiorização. Com a nova legislação, cada farmácia precisa ter obrigatoriamente um farmacêutico responsável, que deve estar à disposição durante todo o período de atendimento ao público. Por isso, está ocorrendo uma demanda maior por profissionais em todo país", assegura.

A remuneração dos recém-formados, atualmente, é de R$ 1.700, valor determinado pelo CFF (Conselho Federal de Farmácia). Mas, como em todas as áreas, o salário de um Farmacêutico varia de acordo com a área em que atua, com a empresa e com a sua formação.

O professor Aymoré também alerta aos interessados que, para atuar na área, é necessário, primordialmente, ter ética. "A conscientização e a ética são coisas importantes de se desenvolver em qualquer profissional, inclusive na farmácia. Nós trabalhamos com a saúde de seres humanos, se não tivermos a noção de ética e nem a noção da necessidade de nossa dedicação, fica difícil atuarmos de forma eficiente", finaliza.

Confira abaixo os motivos que levaram um vestibulando, um graduando e um profissional a escolher o curso de Farmácia:

Idade: 25 anos

Onde estuda: Cursinho da Poli
Liliane Leandro Souza
Idade: 22 anos

Onde estuda: Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Universidade de São Paulo)
Mariana de Oliveira Faria
Idade: 29 anos

Profissão: Graduada pela Unip (Universidade Paulista)
Viviane Aparecida de Oliveira
Vestibulando - Por que escolheu a profissão?
Sempre pensei em fazer o curso de Farmácia, por gostar muito de química. Mas, só optei realmente por Farmácia após ter pesquisado muito sobre essa e outras profissões. O fator decisivo para a minha escolha foi uma palestra sobre a profissão. Por meio desta palestra pude perceber que a Farmácia era a profissão que mais se adequava aos meus desejos.
Graduando - Por que escolheu a profissão?
Sempre gostei muito mais da área de biológicas do que das demais, mas até o 3º colegial, não tinha a menor idéia do que iria escolher. Foi no cursinho que passei a conhecer melhor as opções, dentro da área de biológicas, que mais me interessavam. Conversei bastante com professores, amigos e família, pesquisei em vários sites e procurei me informar sobre o mercado de trabalho. Foi então que optei por Farmácia e Bioquímica, que parecia corresponder a tudo que esperava da faculdade. Essencialmente, as matérias envolvidas correspondiam à Biologia e Química eo mercado de trabalho, além de muito vasto, poderia abranger tanto um campo mais técnico, como também um contato direto com o consumidor. De fato, as possibilidades pareciam imensas, e muito me agradavam.
Profissional - Por que escolheu a profissão?

Na época que eu prestei o vestibular o que mais pesou na minha escolha foi o mercado de trabalho, que era, e ainda é, muito bom e amplo. Sempre gostei da área de saúde e acabei optando por Farmácia, primeiro por gostar muito de medicamento, e segundo pelo campo de atuação, que além de ser muito extenso, conta com muitas ofertas de trabalho. Dentro da Farmácia você pode se identificar com, no mínimo, dez campos de atuação, encontrando com maior facilidade a identificação com aquilo que gosta.

Vestibulando - O que espera do curso?
Espero que corresponda as minhas expectativas, pois além de ser um curso que exige muita dedicação, possui uma carga horária elevada. Passar cinco anos dentro da universidade não é nada fácil, mas isso se torna ainda mais difícil se ele não corresponder as suas expectativas.
Graduando - O curso corresponde às suas expectativas?
Atualmente, estou cursando o 3º ano, no período noturno. Aqui na USP, o curso no período noturno é de 6 anos. Tenho que admitir que, no primeiro ano, apesar do entusiasmo de ter conseguido entrar na faculdade, as matérias não eram bem as que eu esperava. Claro que tinha química, primeiros socorros, mas também nos deparamos com Física e Cálculo. Mas, com certeza, tem valido muito a pena. O aprendizado é imenso, parece que as matérias te incitam a querer saber cada vez mais, e isso é muito legal. Fazendo um balanço do que aprendi até agora, estou bastante satisfeita, apesar das dificuldades. E, particularmente, o curso no período noturno abre muitas possibilidades de estágio, tanto para iniciação científica quanto para estágios em indústrias.
Profissional - O curso correspondeu às suas expectativas?
Na época, eram cinco anos de curso, tínhamos uma carga horária muito elevada e as matérias podiam ser bem trabalhadas. As pessoas acham que o curso de Farmácia só envolve a área biológica, mas na verdade é um curso bem abrangente, que engloba desde a estrutura molecular de uma medicação, que é a química, matemática e biofísica, até a parte de anatomia. Essa abrangência do curso foi o que mais me atraiu, pois com isso consegui sair da universidade com um embasamento bem legal e completo.
Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de formada?
Entre R$1.500 e R$2.000.
Graduando - Quanto espera ganhar depois de formada?
Bom, tenho feito estágios na indústria farmacêutica desde o 2º semestre da faculdade, e desde então venho observando o mercado e as possibilidades que ele oferece. Muitas pessoas se tornam efetivas antes mesmo de terminarem a faculdade. A bolsa para estágio integral, atualmente, gira em torno de R$1.200. Para um profissional formado, essa linearidade, com o salário girando em torno de uma média padrão, não se aplica. Os profissionais formados, pelo que tenho percebido, têm salário muito variado, dependendo da área que trabalham e do cargo que ocupam. De qualquer forma, espero ganhar quando formada por volta de R$ 5.000, apesar de saber que o piso salarial é bem menor e que isso depende de diversos fatores.
Profissional - Quanto ganha?
Existe um piso salarial de farmacêutico, atualmente revisto pelo CRF (Conselho Regional de Farmácia). Esse piso está gerando em torno de R$1.600, podendo variar um pouco de município para município. Apesar de não achar justo, foi determinado pelo conselho que esse valor refere-se tanto a 20 quanto a 40 horas semanais. É lógico que esse valor vai aumentando por uma série de motivos, mas é bem variado, dependendo muito da área de atuação, do cargo e do tempo de carreira. Posso dizer que o Farmacêutico não é um profissional muito bem pago, mas também não é mau pago.
Vestibulando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
Não tenho conhecimento suficiente sobre a profissão para saber o que será bom ou ruim, mas o que mais me chama atenção em Farmácia são as pesquisas. O fato de descobrir coisas novas e com essas descobertas poder ajudar as pessoas é o que mais me fascina na profissão.
Graduando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
Acho que o melhor da profissão é o fato de que ela oferece inúmeras possibilidades. Você pode optar por ser um profissional autônomo, montando e gerenciando farmácias de manipulação, por exemplo. Pode trabalhar com atenção farmacêutica, lidando diretamente com pacientes, em hospitais, por exemplo; pode também trabalhar na indústria farmacêutica, indústria de cosméticos, indústria de alimentos, também em laboratórios de análises clínicas, etc. E dentro de cada área, as opções são inúmeras e vão desde trabalhos mais administrativos e burocráticos, até trabalhos em laboratórios, mais práticos.
Profissional - O que acha de melhor na profissão?
Para mim, o melhor dessa profissão é poder ajudar o próximo, em termos de prestar assistência farmacêutica, algo que está muito alta hoje. É muito compensador poder orientar a população com relação ao uso correto de medicamentos e seus efeitos colaterais, entre outras informações referente a medicamentos, já que muitos médicos, por falta de tempo, não prestam esse serviço a seus pacientes. Ajudar o próximo sempre é uma excelente tarefa. Por isso, saber que com o meu trabalho posso, de certa forma, contribuir com a saúde da sociedade, é bastante animador e é o que mais me fascina.
Vestibulando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
Como já disse não tenho uma panorama completo da profissão, acredito que vou conseguir esse panorama durante o curso. Por isso, ainda não conheço nada que possa ser considerado um aspecto ruim dentro da profissão.
Graduando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
Ainda não tenho muito definido o que poderia encontrar de pior na profissão, mas creio que talvez seja a postura ética envolvida, ou melhor dizendo, a falta dela. Há diversos exemplos, como por exemplo, os farmacêuticos omissos que apenas assinam para diversas farmácias, sem de fato estarem presente, analisando as receitas e acompanhando a dispensa dos medicamentos. E há muito mais.... Li uma vez que a indústria farmacêutica mundial é considerada como o segundo melhor negócio do planeta, ficando atrás apenas de companhias de petróleo. Dá pra imaginar o quanto de dinheiro a indústria farmacêutica movimenta? Pois é, e diante dessa informação, é fácil perceber o quanto a ética na profissão é essencial, já que o medicamento não pode ser visto como um produto comum, pois envolve a saúde de milhões de pessoas.
Profissional - O que você acha de pior na profissão?
Sou muito suspeita para falar de um ponto negativo na profissão, pois sou muito apaixonada por ela. Mas acho que hoje, o lado negativo são as próprias faculdades, que diminuíram muito a sua carga horária, comprometendo o nível de ensino. Com isso, os profissionais são obrigados a buscar outras formas para adquirirem mais conhecimentos, se atualizarem e se especializarem. Infelizmente, porém, essa não é a postura dos profissionais recém-formados. Hoje, muitos profissionais terminam a graduação e cruzam os braços, não se atualizando. A Farmácia é uma área muito dinâmica, a cada ano surgem milhares de novidades e por isso é muito importante essa atualização constante. Mas posso assegurar que existem muito mais pontos positivos do que negativos.
Vestibulando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
Pelo que vejo e escuto o mercado de trabalho do farmacêutico é muito amplo, por isso são muitas as ofertas.
Graduando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
Acredito que a profissão vem conquistando um espaço cada vez maior e determinante. Está ocorrendo uma valorização do setor, mesmo que lenta. A oferta de atenção farmacêutica cada vez mais qualificada tem cooperado para isso e o campo de atuação do farmacêutico está sendo ampliado para atender uma necessidade, cada vez mais freqüente, da população. É nítido perceber que a automedicação é uma prática freqüente da população brasileira. Esse uso indiscriminado de medicamentos, inclusive dos que deveriam ser vendidos apenas sob prescrição médica, gera um alto índice de dependência e de intoxicações. Saber lidar com essa questão é um aprendizado, que deve ser adquirido ao longo de toda a vida acadêmica e exercido durante toda a vida profissional.
Profissional - Que análise você faz da profissão no Brasil?
A profissão da área de Farmácia, aos poucos, tem conquistado o seu espaço e, junto a isso, conquistando valorização, até por uma exigência e luta do nosso conselho. Antigamente, era difícil encontrar um farmacêutico no atendimento de uma farmácia, para orientar os seus clientes, uma das funções primordiais do setor. Mas, felizmente, essa situação foi se modificando aos poucos. Hoje, por uma exigência do conselho é obrigatória a existência desse profissional neste tipo de comércio. Essa situação, além de valorizar o graduado, aumenta as oportunidades de trabalho.
Vestibulando - Que dica você daria a estudantes que estão em dúvida entre Farmácia e outras áreas?
A única dica que eu posso dar é que a pessoa pesquise muito antes de tomar qualquer decisão. Por meio dessa pesquisa será possível identificar-se com alguma profissão. Não se precipite, afinal é o seu futuro que está em jogo.
Graduando - Que dica você daria aos estudantes interessados em Farmácia?
Acho que para começar é interessante procurar conhecer a grade curricular do curso. Essa grade, no início, é essencialmente de química de todas as formas, de todos os jeitos e com todas as caras. Estudantes interessados no curso de Farmácia devem gostar, e muito, dessa disciplina, que é a base de todo o curso. Pelo menos foi assim que eu fiz, e felizmente deu certo.
Profissional - Que dica você daria aos alunos interessados nesta profissão?
Primeiro, é importante manter constante atualização, e isso não é uma exigência só dessa profissão e sim de todas. E segundo, ter muito respeito com o ser humano, porque o farmacêutico lida direta e indiretamente com eles. Por isso, a importância da valorização da saúde e da vida das pessoas. Um outro ponto fundamental para todos os profissionais, principalmente os da área de saúde, é o comprometimento com a ética.

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