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Pontes entre culturas

Relações internacionais ampliam demanda de tradutores e intérpretes

Publicado em 27/12/2006 - 00:01

"Bom dia Monstrópole! Agora são 6 horas mais cinco minutos na cidade do mostro. A temperatura está em torno de 35º, que é bom para você que é réptil. E está pintando um dia perfeito para dormir, babar na fronha, roncar ou até quem sabe... malhar esta banha caindo para fora da cama. Levanta Salley". (Trecho do Filme Monstros SA, da Walt Disney Picture)

Já parou para pensar o número de profissionais que trabalham por trás das câmeras para lhe proporcionar estes momentos de lazer? E, diferente do que muitos imaginam, o personagem principal desta transição não é o Sulley, tampouco a Bu, mas o tradutor e o intérprete que transpassam a barreira da língua estrangeira, transformando piadas e expressões específicas, compreensíveis apenas para uma nação (no caso os EUA), em "risadas" de dimensões transcontinentais. 

Não é nada fácil ver um filme estrangeiro, ler um livro ou mesmo assistir a uma conferência sem tradução, mesmo com bons conhecimentos do idioma em questão, dado o dinamismo característico de todas as línguas, o uso de neologismos, gírias, expressões e regionalismos. Daí a importância desses profissionais nas relações internacionais e na comunicação do Brasil com o mundo. "A função do tradutor e do intérprete é estabelecer uma ponte entre culturas diferentes, facilitando o diálogo entre os povos", explica a coordenadora do curso de Tradução e Interpretação da Unisantos (Universidade Católica de Santos), Elita César Argemon. 

Mas o que é preciso para ser um tradutor? Como conseguir uma chance de ser intérprete? Basta ter um bom inglês e vontade de trabalhar? Nada disso. Para ser um bom profissional é preciso um profundo conhecimento do idioma escolhido, além de conhecer a cultura estrangeira e dominar a Língua Portuguesa. Embora não seja exigido o curso superior para atuar nessa área, vale lembrar que ter um diploma faz, sim, a diferença na busca por uma oportunidade de trabalho. "A graduação oferece sólidos conhecimentos lingüísticos para dominar técnicas de tradução que vão muito além da simples substituição de expressões, o que é primordial para o profissional", destaca a coordenadora. 

Com o crescimento da globalização e o aumento de investimentos em parcerias internacionais, emprego é que não falta para esses profissionais. As ofertas estão em todas as empresas, públicas ou privadas, que cultivem relações internacionais em qualquer setor. Além da tradução de livros, manuais técnicos, textos científicos e jurídicos, artigos, legendas de filmes e programas de TV, este profissional pode também trabalhar com a tradução simultânea de palestras, seminários, convenções, discursos e reuniões. 

As grandes oportunidades, segundo a presidente do Sintra (Sindicato Nacional dos Tradutores), Elizabeth Lélia Thompson, estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste, principalmente no eixo Rio - São Paulo. "Brasília também tem uma grande demanda por tradutores e intérpretes, por causa da concentração das embaixadas", completa. Existe, ainda, uma saturação no mercado de especialistas na língua inglesa e um deficit muito grande em outros idiomas. "Há muitas vagas para pessoas especializadas em espanhol, alemão, japonês, francês e, agora, com a aproximação da China e do Brasil, em mandarim. Porém falta mão- de-obra suficiente para preenché-las", pontua. 

A maioria dos profissionais atuantes não possuem vínculos empregatícios e atuam como free-lancer. Em média, para a tradução de documentos ganham R$ 0,22 por palavra ou R$ 24,00 por lauda (30 linhas com 70 toques cada). A versão, que é a transposição do português para outro idioma, costuma valer R$ 0,32 por palavras. Já os intérpretes recebem mais com a tradução simultânea: são R$ 1.100 por seis horas de trabalho e um acréscimo de 25% para cada hora extra. (Estes são os dados utilizados pelo Sintra como referência aos praticados no mercado a partir de janeiro de 2006).

O mercado de trabalho é vasto. No entanto, Elizabeth ressalta que cabe ao tradutor saber procurar, se apresentar e se fazer conhecer para que consiga uma boa colação, dando qualidade e pontualidade ao seu trabalho. "É preciso estar sempre atento e atualizado para saber em que porta bater", orienta a presidente. "O sucesso depende muito mais do profissional do que da situação do mercado e da qualidade da universidade", conclui.

Leia as entrevistas abaixo e descubra os motivos que levaram um vestibulando, um graduando e um profissional a escolher o curso de Tradução e Interpretação:

Idade: 26 anos

Daiana Cardoso  Idade: 26 anos

Onde estuda: Unibero (Centro Universitário Ibero-Americano)
Tatiana Castellani

Idade: 52 anos

Profissão: Tradutora, graduado pela PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro)

Claudia Maria Brum Arruda
Vestibulando - Por que escolheu a profissão?
Sempre tive uma identificação muito grande com idiomas estrangeiros. Uma habilidade e uma vocação natural para aprender outras línguas: tenho domínio de Inglês, um conhecimento intermediário de Espanhol e, atualmente, estudo Alemão e Francês. 

Inicialmente, não sabia da existência do curso de Tradução e Intérprete e acabei seguindo a carreira de administradora. Mas, este ano, por intermédio de um amigo, acabei conhecendo as especificidades dessa graduação, que tem tudo a ver com os meus interesses profissionais e pessoais. E pretendo, sim, investir nessa área. 
Graduando - Por que escolheu a profissão?
Na verdade, entrei um pouco por acaso nesse mercado. Sempre gostei muito de literatura e línguas, razão que me fez optar pelo curso de Letras. Mas, durante a graduação, tive a oportunidade de conhecer esse nicho e acabei escolhendo a habilitação em Tradutor e Intérprete. 
Profissional - Por que escolheu a profissão?

Na época do vestibular estava em dúvida entre Medicina e Tradução. De um lado, havia uma tradição familiar e do outro a paixão pela leitura e pelas línguas. No fim, o gosto pessoal acabou falando mais alto. 

Vestibulando - O que espera do curso?
Aprender a traduzir e a interpretar em diversos idiomas, além de desenvolver habilidades específicas para atuar nesse segmento. A graduação será uma forma de desenvolver esse meu potencial lingüístico. 
Graduando - O curso corresponde às suas expectativas?
A graduação corresponde, sim, as minhas expectativas. Falo isso de uma maneira muito particular, porque tenho muitos colegas que fizeram o curso e que acabaram não atuando na área. Mas, para mim, esta foi uma excelente oportunidade. Além de obter todos os conhecimentos básicos da profissão, tive a oportunidade de colocá-los em prática por meio de estágios. É claro que tudo isso depende muito mais do aluno do que da instituição de ensino. 
Profissional - O curso correspondeu às suas expectativas?
A graduação correspondeu, sim, as minhas expectativas. Por meio dela aprendi não só o vocabulário geral de diversas áreas, mas também as técnicas básicas da tradução e da interpretação. O curso é fundamental para a profissionalização de um tradutor e foi essencial para a minha carreira profissional. 
Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de formada?
Existe uma tabela de sugestão de preços no Sindicato dos Tradutores. Desta forma, espero, pelo menos, atuar em cima destas sugestões. 
Graduando - Quanto espera ganhar depois de formada?
Essa é uma pergunta um pouco difícil, até porque a maioria dos profissionais da área de Tradução e Interpretação trabalha como free-lancer. Dessa forma, a remuneração vai oscilar de acordo com os trabalhos realizados. Mas pretendo receber, no mínimo, R$ 2.000,00 por mês. 
Profissional - Quanto ganha?
Atuo na área como free-lancer desde que me formei, em 1977, e responder esta pergunta é muito difícil. As remunerações variam muito. Mudam de acordo com a experiência profissional, com o trabalho realizado e até mesmo de contratante para contratante. Há contratos que pagam por laudas, por palavras ou por tarefas. 
Vestibulando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
Independente do lugar onde esteja, há possibilidades de trabalhos. Não há nada que lhe prenda. Tudo depende, unicamente, de sua capacidade mental. 
Graduando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
O mercado de trabalho. Há muitas oportunidades para esses profissionais e com a graduação as coisas se tornam muito mais fáceis. Muitas portas do mundo corporativo se abrem, até porque o bacharel e a experiência profissional são requisitos mínimos para atuar nesse segmento. 
Profissional - O que acha de melhor na profissão?
O aprendizado contínuo. A cada trabalho novos desafios são lançados e, conseqüentemente, uma nova oportunidade para o enriquecimento profissional e até pessoal. Adoro pegar um texto e destrinchar todas as informações, pesquisando vocabulários e culturas para chegar ao resultado final. Tenho e sempre tive prazer em fazer isso. Ser tradutor é um trabalho árduo, mas, no fim das contas, compensa.
Vestibulando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
A sazonalidade e a instabilidade da profissão. A maioria dos trabalhos é baseada em contratos, o que não garante um salário fixo no final do mês. É preciso ser bem dinâmico e ter uma excelente rede de contatos para conseguir novos trabalhos e para conquistar boas remunerações. 
Graduando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
A instabilidade financeira, porque para o profissional construir um nome e uma carreira promissora é preciso tempo. Além disso, é necessário ser persistente e superar os momentos difíceis da profissão, o que nem todo mundo consegue. Muitos desistem na primeira crise financeira. 
Profissional - O que você acha de pior na profissão?
Ser free-lancer complica um pouco, se bem que eu já estou bem acostumada com a situação. Além da questão da estabilidade financeira, inerente à profissão de autônomo, existe a problemática do tempo: dificilmente você consegue tirar férias, por causa do compromisso contínuo com seus clientes. 
Vestibulando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
Um mercado restrito, já que existem poucas instituições de Ensino Superior que oferecem o curso de Tradução e Interpretação. E mais, a graduação nessa área não é muito divulgada, o que dificulta sua valorização e expansão. Existe uma grande demanda por esses profissionais em todo o Brasil, mas o campo de trabalho está mais centralizado no Sul e no Sudeste. Falta, porém, mão de obra especializada para tal. 
Graduando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
É uma profissão que vem crescendo bastante, ainda mais com a aproximação do Mercosul e da China. Ao mesmo tempo, atrai muitos profissionais também. Felizmente, a demanda ainda é maior do que a concorrência. Há uma certa saturação por especialistas da língua inglesa, mas um vasto mercado para o mandarim e o espanhol. Mas, como em qualquer outra profissão, é preciso correr atrás para conseguir ingressar no mercado de trabalho. 
Profissional - Que análise você faz da profissão no Brasil?
A internacionalização contribui muito para a expansão do mercado de trabalho. Mas as coisas não são tão fáceis quanto parece. Se por um lado existe o avanço tecnológico que dá um empurrãozinho para os tradutores, por outro há o aumento da concorrência e a situação do país que bota o pé no freio. 
Vestibulando - Que dica você daria a estudantes que estão em dúvida entre Tradução e Interpretação e outras áreas?
Antes de escolher qualquer área de atuação é preciso olhar para a sua vocação. Muitas pessoas acabam se atendo à concorrência dos vestibulares e esquecem de pensar em suas perspectivas profissionais e pessoais, o que, futuramente, pode causar uma frustração. 
Graduando - Que dica você daria aos estudantes interessados em Tradução e Interpretação?
Estudar bastante, porque essa é uma área que requer muito conhecimento, principalmente cultural. Não basta saber falar um segundo idioma, é preciso dominar o português e ter um vasto conhecimento na cultura estrangeira. Além disso, é preciso se dedicar muito e correr atrás sempre. 
Profissional - Que dica você daria aos alunos interessados nessa profissão?
É importante ressaltar que a graduação não é uma exigência para atuar no mercado, mas é um diferencial muito grande. O curso assegura o desenvolvimento profissional de um tradutor. Para atuar na área é preciso ter muita disciplina, além de gostar muito da atividade profissional, já que é um trabalho muito solitário.

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