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A Psicologia pode ser uma maneira de conhecer o outro e a si próprio

Publicado em 16/08/2006 - 00:01

Conflitos com os pais, namoros mal resolvidos, cobrança na escola e em todo o canto da sociedade. Que adolescente não gostaria de entender por que os seres humanos são tão complicados? O curso de psicologia atrai muitas pessoas que, interessadas nos mistérios da mente, buscam transformar sua vida profissional em um exercício de conhecer o outro - por meio do qual acabam, muitas vezes, conhecendo melhor a si mesmos.

"Como o curso tem disciplinas voltadas à compreensão das pessoas, ele acaba mesmo por indicar algumas coisas nossas, fazendo com que certos alunos trilhem o caminho do autoconhecimento", afirma a vice diretora da Faculdade de Psicologia da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) Ana Maria Pereira. Mas ela alerta que a pressão por uma escolha profissional correta, a ansiedade e o desejo de encontrar tantas respostas podem atrapalhar os estudantes na hora de prestar vestibular: "algumas vezes, o aluno busca na graduação em psicologia o mesmo contato que ele tem com seu terapeuta, e o curso não é uma extensão da terapia".

O curso de psicologia é voltado para a formação generalista do profissional. No caso da PUC-RS, por exemplo, os dois primeiros semestres são dedicados ao ensino das disciplinas fundamentais da psicologia, como psicologia social, história da psicologia e construção do comportamento humano. A partir do terceiro semestre, os alunos vão gradualmente entrando em contato com especialidades de diferentes áreas de trabalho, como as áreas médica e de recursos humanos. A partir do sexto semestre começam os estágios, que possibilitam a prática de diferentes aplicações da profissão. "Depois de passar pelas áreas de trabalho, muitos alunos me procuram para dizer que entraram na faculdade para fazer clínica e saíram com certeza de que querem trabalhar em empresas, por exemplo", conta Ana Maria.

Se você está focado em se destacar no mercado de trabalho e pretende estudar Psicologia, precisa, em primeiro lugar, repensar os planos de acabar a faculdade, abrir um consultório e começar logo a atender seus pacientes. A gerente de produto efetivo da Gelre, Sidnéia Palhares, acredita que essa não é uma opção viável para a maioria dos recém-formados da área: "o psicólogo clínico é alguém que precisa de muito estudo e de dedicação integral a essa modalidade de trabalho. Esse perfil geralmente se aplica melhor a profissionais mais maduros".

Sidnéia explica que os psicólogos clínicos inexperientes costumam contratar um supervisor para acompanhar suas primeiras sessões. O custo desse tipo de serviço, e o fato de que o tratamento psicológico não sai barato para boa parte da população, agravam as dificuldades financeiras de se abrir uma clínica com pacientes fiéis logo no começo da carreira. Quem começa nessa área tem a opção de alugar salas de atendimento em clínicas renomadas ou atender pacientes de algum convênio médico, até que a experiência traga indicações e estabilidade financeira.

A gerente da Gelre também desmistifica outra crença que confunde a cabeça dos interessados em psicologia: a falsa impressão de que há muitas vagas para profissionais dessa área nos departamentos de Recursos Humanos das empresas. Sidnéia explica que grande parte das corporações está enxugando os seus quadros de RH, e que o recrutamento de profissionais passou a ser terceirizado, ou seja, consultorias especializadas são contratadas periodicamente apenas para selecionar novos funcionários. "RH ainda é a vedete do mercado, mas a maior parte das vagas para psicólogos está nas consultorias de recrutamento, e não nas grandes empresas", afirma Sidnéia.

Outras boas opções de carreira estão na área hospitalar, em que o psicólogo dá apoio ao tratamento médico, e na psicologia do esporte, que combina o tratamento psicológico com estímulos motores para ajudar atletas a superarem o stress e o desgaste físico na hora das competições.

Confira abaixo os motivos que levaram um vestibulando, um graduando e um profissional a escolher o curso de Psicologia:

Idade: 18 anos

Natália de Souza Silva
Idade: 20 anos

Onde estuda: PUC-RS
Thaíse Medeiros Vianna
Idade: 45 anos

Profissão: Graduada em Psicologia pela UNESP de Assis e pós-graduada pela Associação Brasileira de Psicanálise, atua como psicoterapeuta clínica em Promissão, SP.
Elaine Cardin
Vestibulando - Por que escolheu a profissão?
Primeiro porque adoro humanas. Depois porque sempre gostei de ajudar as pessoas e entender os seus sentimentos. Quero trabalhar com recursos humanos, ajudando na seleção de pessoas para trabalhar nas empresas.
Graduando - Por que escolheu a profissão?
Sempre tive curiosidade de estudar o comportamento humano. Como somos rodeados de pessoas desde que nascemos, me chamava muito a atenção o fato de que algumas tomavam determinadas atitudes e outras não. Então isso me levou a procurar uma ciência que estudasse isso.
Profissional - Por que escolheu a profissão?
Escolhi a profissão porque sempre lidei com uma busca muito forte da compreensão da dor - da minha própria dor emocional e também da dor emocional do outro. Essa busca se manifestou de várias formas na minha adolescência. Procurei pela religião e pelo voluntariado, até que surgiu apareceu a possibilidade de buscar essa compreensão na minha escolha profissional.
Vestibulando - O que espera do curso?
Ih, agora você me pegou. O que eu espero do curso... vou prestar mais faculdades públicas e vou tentar bolsa na PUC, mas ainda não conheço as disciplinas do curso nessas faculdades. Acho que vou gostar muito de fazer os estágios. Creio que vou me interessar mais quando estiver trabalhando mesmo.
Graduando - O curso corresponde às suas expectativas?
Bastante. Já tive conteúdo suficiente para me certificar que é isso mesmo que quero estudar. A prática mesmo só começa no sexto semestre, então se antes disso você quiser ter ainda mais certeza, tem que procurar voluntariamente um grupo de pesquisa. Isso é muito importante porque é um contato direto com a sua área de trabalho.
Profissional - O curso correspondeu às suas expectativas?
Psicologia é um curso que nos confunde, não no mal sentido, mas no bom sentido, de ampliar as nossas perspectivas de enxergar as pessoas. Confesso que, nos 3 primeiros anos, só me senti confusa. Em alguns momentos tive vontade de desistir e até mesmo medo de "pirar". Você encontra professores que desafiam seus padrões morais, e aquilo faz mesmo um alvoroço na sua cabeça quando você tem 18, 19 anos. Mas, felizmente, tive estrutura para persistir até o fim.
Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de formada?
Acho que vou ganhar uns R$2.000.
Graduando - Quanto espera ganhar depois de formada?
Acho que vou ganhar o necessário para viver, não tenho muita expectativa. Quero fazer mestrado, então acho que no primeiro ano vou ganhar pouco mais que R$500. Eu vou procurar um concurso público para me estabilizar e fazer uma especialização em psicodrama, um tipo de dinâmica de grupo, que é o que eu gosto de estudar. Pretendo trabalhar isso como uma segunda opção, e trabalhar clinicando dentro de um órgão público.
Profissional - Quanto ganha?
Hoje eu clinico como psicanalista e ganho R$12.000. Sinto-me pessoalmente gratificada com a minha profissão. As pessoas tem que saber que não dá para começar abrindo consultório, o que exige muito investimento, mas que a psicologia tem um espaço bem amplo de atuação.
Vestibulando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
Vou gostar mais da oportunidade de ajudar as pessoas. Acho que ajudar os outros vai ser uma maneira de me realizar pessoalmente.
Graduando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
Acho que o que tem de melhor na psicologia é poder abranger tanto o lado profissional quanto o lado pessoal. É um crescimento contínuo: você trabalha diretamente ligado com um ser humano que sempre vai te trazer coisas novas, porque a cada dia nós somos um.
Profissional - O que acha de melhor na profissão?
A possibilidade de entrar em contato consigo mesmo, com suas próprias loucuras, seus próprios medos, suas próprias dores. É normal que os psicoterapeutas façam análise muito tempo antes de começar a exercer a profissão, o que é muito bom. Quase ninguém começa a estudar psicanálise antes dos 33 anos, porque é preciso não apenas já ter estabilidade profissional, mas principalmente condições pessoais e emocionais muito boas para fazer isso.
Vestibulando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
Acredito que o pior vai ser quando tiver que falar uma verdade que sei que a pessoa não vai gostar de ouvir. Se tiver que dar um conselho para alguém, e dizer para essa pessoa que ela está fazendo tudo errado, acho que isso vai ser muito difícil.
Graduando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
Acho que todo profissional tem que procurar se destacar. Porque quem não procura o crescimento e a qualificação começa a decrescer pro pior da profissão, que é não conseguir emprego, não encontrar uma colocação no mercado de trabalho.
Profissional - O que você acha de pior na profissão?
A sensação de impotência em relação ao sofrimento do outro. Muitas vezes um paciente vem procurar ajuda, mas nem todas às vezes ele quer melhorar. Às vezes ele tem uma desistência interior que nem ele mesmo percebe. Quando você se vê impossibilitado de ajudar essa pessoa, tem momentos em que questiona tudo. Por isso acho que a psicologia é uma profissão que exige muita paciência e tolerância com a frustração.
Vestibulando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
Acho que a psicologia oferece uma área muito extensa de trabalho no Brasil, mas você precisa entrar no setor que tem mais vagas. Na minha opinião, hoje isso acontece principalmente na área de RH, em que você ajuda empresas a selecionar pessoas. Mas acho que a clínica oferece bastante trabalho também, porque na situação atual do país todo mundo precisa de ajuda, mesmo que seja só um pouquinho. Ninguém mais está conseguindo se entender.
Graduando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
A psicologia no Brasil está crescendo muito. Estão surgindo muitas técnicas que estão ajudando os profissionais do Brasil a não afunilar seus conhecimentos, a abranger mais influências para embasar seu trabalho. Não podemos mais focar só em uma teoria, temos que ser cada vez mais abertos, porque as pessoas que nos procuram são diferentes, têm crenças diferentes, e precisamos ter um conhecimento amplo para poder lidar com isso.
Profissional - Que análise você faz da profissão no Brasil?
Acho que a psicologia é pouco valorizada, principalmente pela área médica, que tem muito preconceito em relação ao trabalho do psicólogo. Essa desvalorização não é apenas salarial, mas ela se manifesta na ignorância do potencial que a psicologia tem. O psicólogo pode ser o coração do trabalho médico em equipe, e pode exercer uma função importante nas atividades multidisciplinares e na área de recursos humanos, mas isso, infelizmente, é pouco valorizado.
Vestibulando - Que dica você daria a estudantes que estão em dúvida entre Psicologia e outras áreas?
Minha dica é que essa pessoa não pense em quanto ela vai ganhar, mas no que ela mais gosta de fazer. Porque se ela escolher uma profissão de que ela gosta, ela vai conseguir trabalhar bem e ter um bom resultado no mercado.
Graduando - Que dica você daria aos estudantes interessados em Psicologia?
A dica que eu daria é que eles têm que fazer da leitura um hábito. Isso é uma coisa que, mesmo que eles não façam desde que nasceram, eles podem começar hoje, treinar esse hábito para que ele passe a fazer parte do cotidiano.
Profissional - Que dica você daria aos alunos interessados nesta profissão?
Em primeiro lugar, estudar muito. Não abro mão disso: muita disciplina e seriedade são necessárias nos 5 anos de faculdade, e é preciso estudar muito sempre. Em segundo, ter o cuidado de se ver mais, fazer terapia, se conhecer. Hoje, todo o estudante de psicologia tem condições de fazer terapia, porque vários órgãos da sociedade oferecem isso a ele. Acho que uma pessoa não pode pensar em fazer psicologia sem antes iniciar essa busca dentro dela mesma.

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