Mobilidade
Relação Universidade-Empresa
Formação
Notícias
Quem somos
Alianças

Publicidade

Publicidade

Rede Universia

Universia.br

Brasil :: Página inicial >

Quinta-feira :: 08 / 11 / 2007

SERVIÇOS ::

Pré-Universitário   Profissões       Minha Escolha     Engenharias    

Réguas, cálculos, mapas e escalas

Número de cartógrafos ainda é pequeno para o Brasil

Publicado em 24/04/2006 - 00:01

Você lembra na escola, quando pintava, contornava e desenhava mapas? O trabalho era bem simples, bastava copiar os desenhos dos livros e Atlas escolares. Mas, para que aqueles livros facilitassem tanto suas tarefas, alguém teve que pesquisar dados, analisar terrenos e produzir cartas para que as lições aprendidas em sala de aula fossem corretas e fiéis em relação à realidade. E transferir a extensão territorial de uma determinada área e suas informações para o papel (cada vez mais substituído pelo computador) é a função do Engenheiro Cartógrafo.

A profissão é pouco conhecida e, de 1982 até 2005, apenas 459 profissionais se formaram na Unesp (Universidade Estadual Paulista). "Todo o território nacional necessita de cartografia e há uma deficiência no número de engenheiros cartógrafos para ajudar no desenvolvimento do Brasil", acredita o coordenador do curso de Engenharia Cartográfica da Unesp, João Carlos Chaves. Ele diz ainda que com base em uma cartografia bem elaborada e confeccionada, há condições de auxiliar nas decisões tomadas pelos administradores do país. Clique aqui para conhecer mais informações sobre o ensino da Engenharia Cartográfica.

No campo de trabalho, as funções de um cartógrafo são, principalmente, planejamento e coleta de dados, tais como levantamentos geodésicos (formas e dimensões da Terra), topográficos (características naturais e físicas do planeta), fotogramétricos (elaboração de cartas através de fotografias aéreas) e sensoriamento remoto (análises por satélites ou imagens aéreas). Após esse processo, ele realiza, através de cálculos matemáticos, o processamento e a interpretação dos dados. Então, é feita a representação e reprodução cartográfica, de formas usuais ou digitais e, finalmente, a análise das informações.

Para ingressar no mercado de trabalho, é importante que o recém-formado tenha experiência em estágio, facilidade para trabalhar em grupo e grande capacidade de aprender. O consultor da Career Center Fernando Dias aposta em engenheiros com esse perfil, e acredita que o sucesso profissional começa a ser trilhado logo após a universidade . "O início de carreira é um grande período de aprendizagem. O profissional vai trabalhar e gerar resultados e, para isso, tem que ter o conhecimento da faculdade. É um período no qual vai sedimentar sua carreira", finaliza.

Para os graduados na profissão, as opções de trabalho variam. "Uma parte continua a vida acadêmica e outra vai para o mercado de trabalho. O sistema público de registro de terras, por exemplo, tem proporcionado boas oportunidades para cartógrafos e alunos recém-formados", conta Chaves. Um levantamento feito pela Unesp em 2003 apontou que 47,7% dos profissionais atuam em órgãos públicos, 40,4% no setor privado e os demais como autônomos.

Existem, no Brasil, apenas seis cursos de Engenharia Cartográfica, todos em universidades públicas. Por isso, a preparação pré-universitária é muito importante. "Quem está no Ensino Médio e pretende fazer a escolha pelo curso tem que ter mais facilidade, obviamente, na área de exatas (matemática, física e cálculo geral), além de ter uma boa formação básica", explica o coordenador. Clique aqui para pesquisar, no canal Onde Estudar, do Universia, cursos de graduação e pós-graduação em Engenharia Cartográfica.

Conhecimentos de informática - para saber utilizar os programas e recursos de representação gráfica - , inglês e desenho também são fundamentais para um engenheiro cartógrafo. Segundo dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), por ano há uma média de 666 matrículas para 64 concluintes. Já o coordenador da Unesp diz que o índice de evasão na universidade varia entre 4,5% e 5,5%.

Confira abaixo os motivos que levaram um vestibulando, um graduando e um profissional a escolher o curso de Engenharia Cartográfica:

Idade: 16 anos

Paulo César Marini Cervelli
Idade: 21 anos

Onde estuda: UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Rodrigo Raupp
Bosque
Idade: 23 anos

Profissão: Analista de Geoprocessamento da Stora Enso do Brasil
Rafael Fiorott Oliveira
Vestibulando - Por que escolheu a profissão?
Escolhi Engenharia Cartográfica porque é uma coisa de família, dos meus tios, meus irmãos. É uma profissão na qual acredito que vou me dar bem e que me identifico bastante. Gosto da área de matemática, de exatas.
Graduando - Por que escolheu a profissão?
Quando era criança, sempre gostava de olhar mapas, então logo que surgiu o curso na UFRGS, me interessei. Fiz o vestibular sem saber realmente do que se tratava a profissão.
Profissional - Por que escolheu a profissão?
Foi uma história engraçada. Caí na Engenharia Cartográfica por acaso. Ia fazer o vestibular para Engenharia Civil e um erro de inscrição me trouxe para o curso. Mas o que me manteve nele foi o mundo totalmente novo que se abriu na minha frente, além das oportunidades profissionais que vieram junto.
Vestibulando - O que espera do curso?
Espero que possa sair do curso com condições de entrar no mercado de trabalho, para fazer o que gosto e ser um bom profissional. É um bom curso porque é bem difícil e o que eu pretendo cursar é um dos melhores do Brasil.
Graduando - O curso corresponde às suas expectativas?
Sim. Nem todas as disciplinas chamam a atenção do aluno, normalmente quem faz Engenharia Cartográfica se identifica mais com alguma área específica. Para mim, é um ponto positivo, pois ninguém sai com os mesmos objetivos da universidade, cada um vai trabalhar com uma área de conhecimento diferente.
Profissional - O curso correspondeu às suas expectativas?
Com certeza. Estudei em uma universidade pública e, durante todo o curso, isso foi uma preocupação. Como todos sabem, as federais enfrentam problemas estruturais. No Sul, tínhamos outro agravante, o curso era muito novo e estava se organizando. Mas, apesar dos problemas, quando você entra no mercado de trabalho percebe o quanto é sólida e diferenciada a formação que recebeu. Hoje olho para trás e finalmente tenho a certeza que fiz a escolha certa.
Vestibulando - Quanto espera ganhar depois de formado?
Segundo a lei, o piso salarial deve variar de R$ 1.800 a R$ 2.100. Então, essa é minha expectativa de salário após sair da universidade.
Graduando - Quanto espera ganhar depois de formado?
Em torno de R$ 3.000, no início.
Profissional - Quanto ganha?
Os salários variam muito. Para recém-formados ficam na faixa de R$ 2.000. Os concursos pagam entre esse valor, como o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). A Agência nacional de Águas paga R$ 4.500 e a Polícia Federal por volta de R$ 8.500. Profissionais liberais faturam entre R$ 2.500 e R$10.000 por mês. Já para os cargos de analista de geoprocessamento no setor florestal a média fica em R$ 4.500.
Vestibulando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
Gostaria mesmo, dentro da Engenharia Cartográfica, trabalhar com fotos de satélites. Acho que a profissão traz vantagens como dinheiro e conhecimento. Mas o que eu viso mais é o conhecimento na área que vou atuar.
Graduando - O que acha que vai encontrar de melhor na profissão?
Trabalhos em campo, interação com pessoas de diferentes lugares e ambientes diversos.
Profissional - O que acha de melhor na profissão?
Trabalhar sempre com tecnologia de ponta, como imagens de satélite e sistemas de posicionamento de alta precisão como o GPS (Global Positioning System). Além disso, acho que a Engenharia Cartográfica é um dos poucos cursos que te permitem se relacionar com pessoas e ambientes totalmente diferentes o tempo todo. Saber transitar e interagir com eficiência entre os diferentes mundos é um grande desafio.
Vestibulando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
Acho que não vou encontrar nada de pior na profissão. Já conheço bastante, procuro ir atrás das informações, conheço bastante por causa da minha família. Então não vejo nenhum ponto negativo. Acho que vou gostar de fazer tudo.
Graduando - O que você acha que vai encontrar de pior na profissão?
Pouca valorização do engenheiro cartógrafo em conselhos, tendo em vista o pequeno número de profissionais.
Profissional - O que você acha de pior na profissão?
O vestibulando que está pensando em fazer Engenharia Cartográfica deve ter a noção que de está se candidatando a uma profissão que é completamente desconhecida da maioria das pessoas, e lembre-se que isso inclui os membros da sua família e amigos também. Esteja preparado para dar longas explicações sobre o que você faz. É muito comum também sermos confundidos com Topógrafos. Além de ser um pouco frustrante, isso acaba tendo reflexos no âmbito profissional, onde perdemos oportunidades em função deste desconhecimento da sociedade.
Vestibulando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
É uma profissão que tem o reconhecimento merecido. Mas, hoje em dia, também é muito difícil conseguir um emprego como engenheiro na área. Minha tia e meu irmão me motivam muito, dizendo que o curso é bom e reconhecido.
Graduando - Que análise você faz da profissão no Brasil?
Acho que é uma profissão que é muito importante para o desenvolvimento, mas não tem muita visibilidade por parte da população em geral, o que acaba deixando meio desconhecida.
Profissional - Que análise você faz da profissão no Brasil?
Diferentemente de outros países, no Brasil as nossas atribuições profissionais estão compartilhadas com profissionais tão distintos como arquitetos, geógrafos, geólogos, biólogos e engenheiros civis. Somos poucos no Brasil todo e não temos representatividade nas câmaras do CREAS regionais, o que torna difícil a fiscalização dos trabalhos executados na nossa área. Na Europa, Estados Unidos e em Países da Ásia os profissionais de Geomática são reconhecidos e sobram oportunidades de emprego. Apesar destes problemas, acredito muito no futuro da profissão no Brasil. O mercado está em franca expansão e existem vagas para quem se dispõe a trabalhar no interior, principalmente no Norte do País. Além disso, o Brasil será o celeiro de grandes investimentos do setor florestal nos próximos anos. Tudo indica que, na América Latina, teremos o novo pólo mundial do setor de papel e celulose.
Vestibulando - Que dica você daria a estudantes que estão em dúvida entre Engenharia Cartográfica e outras áreas?
Independente de ser Engenharia Cartográfica, o estudante deve sempre procurar fazer o que gosta, procurar conhecer a área antes para depois não se decepcionar ou se arrepender.
Graduando - Que dica você daria aos estudantes interessados em Engenharia Cartográfica?
Dou a dica de se dedicar não só nos estudos, mas também em fazer com que cada vez mais se tenha conhecimento da função do engenheiro cartógrafo na sociedade.
Profissional - Que dica você daria aos alunos interessados nesta profissão?
Acredito muito que nessa, como em qualquer outra profissão, o segredo do sucesso está vinculado 10% ao talento nato da pessoa e 90% ao trabalho duro. Dedique-se com afinco a sua profissão e procure tornar-se o melhor profissional que puder, mas sempre tendo consciência da suas limitações. Se você sabe onde quer chegar, achará um meio de superá-las uma a uma. Mas se for para dar uma dica, fico com uma que já é lugar comum, mas nem por isso menos importante: aprender inglês é fundamental!

Encontre Notícias de seu interesse


Publicidade

.                                                                                                                                                         &nbs p;